Crie hipóteses antes de investir tempo e esforço

Então você teve uma idéia fantástica que vai revolucionar o mundo e/ou lhe trazer muito dinheiro. Seu primeiro passo é correr para implementar logo o novo produto/serviço antes que competidores o façam, certo? Errado!

Seguindo a Inovação Enxuta (ou qualquer Gestão da Inovação) isso pode até ser seu próximo passo, mas antes de jogar tempo, esforço e dinheiro fora, passe uma horinha que seja pensando bem quais são as premissas ou hipóteses que você acha que vão fazer do seu produto uma grande inovação. Liste suas principais dúvidas, tentando deixá-las “S.M.A.R.T.” (espertas):

  • S -> Small: Hipóteses pequenas e pontuais. Ou seja, ao invés de ter uma hipótese  “Meu produto vai dar certo” quebre-a no maior número possível de “sub-hipóteses”. Uma primeira quebra seria: “O usuário vai ter ganhos significativos com essa inovação”, “O cliente vai querer pagar o que precisamos”, “Nós dominamos a tecnologia o suficiente para desenvolver o produto no tempo e custo necessário”, etc. Estas hipóteses, obviamente, são apenas exemplos didáticos. Na prática, você deve continue quebrando ainda mais essas hipóteses, deixando elas específicas para a sua inovação.
  • M -> Measurable: Hipóteses que você consiga medir/distinguir rapidamente quando você encontrou uma resposta (principalmente uma resposta que você não gostaria). Um exemplo de critério para “O usuário vai ter ganhos significativos com essa inovação” seria fazer pesquisa de opinião com o publico-alvo onde pelo menos 70% dos usuários entrevistados achem o protótipo “muito útil” ou melhor.
  • A -> Atomic: Hipóteses que dependam o mínimo possível uma da outra. A idéia é que se não for possível colocar mais esforço para resolver mais rápido uma única hipótese (que é sempre preferível), a empresa/equipe possa trabalhar em mais de uma ao mesmo tempo. Como exemplo de hipóteses atômicas, posso citar as hipóteses na letra “S” acima.
  • R -> Relevant: Por motivos óbvios, as hipóteses devem ser relevantes para a sua inovação e sua empresa. Não crie hipóteses onde seu curso de ação vai ser o mesmo, independente da resposta que você obter.
  • T -> Time-bounded: Suas hipóteses devem ter num prazo para serem resolvidas. Transforme hipóteses do tipo “Vamos ter um ROI de 15%”, que são impossíveis de saber que não foram atingidas (“ano que vem agente consegue”) para “Vamos ter um ROI de 15% no segundo mes”.

A idéia deste passo não é que se crie muitas hipóteses e sim que se tenha pelo menos uma hipótese adequada para os próximos passos. Com as “hipóteses espertas” na mão, o segundo passo é priorizá-las, deixando-as na ordem que sua equipe irá solucioná-las. Normalmente se utiliza como critérios de priorização o risco para o sucesso da inovação, as dependencias entre as hipóteses e a facilidade e rapidez com que a hipótese pode ser esclarecida.

O terceiro passo consiste em planejar as atividades que irão esclarecer apenas a hipótese mais prioritária e definir quais os critérios para considera-la como resolvida. É extremamente importante que se planeje adequadamente para fazer apenas o necessário para resolver a hipótese. Devemos pensar na maneira mais rápida, barata e que despenda o menor esforço para solucioná-la adequadamente.

O quarto passo consiste na execução das atividades planejadas e no monitoramento para ver se os critérios previamente definidos para considerar a hipótese como respondida foram atingidos.

Por fim, após solucionar uma hipótese, devemos repriorizar as hipóteses restantes, incorporando o conhecimento adquirido e modificando-as ou adicionando novas. Em seguida, o ciclo é reiniciado.

A prática toda tem como principal objetivo este ponto: economizar esforço e maximizar o número de hipóteses relevantes resolvidas num intervalo de tempo. O fato de termos pensado nas hipóteses nos permite analisar de maneira objetiva se as atividades que estamos planejando são as mais adequadas. Mais frequentemente do que se imagina, tempo e dinheiro são desperdiçados porque, principalmente com novos produtos e serviços, temos uma tendência a “construir um arranha-céu” apenas para saber “se o solo é adequado”, ao invés de simplesmente “cavá-lo, testá-lo e analisá-lo”. Ou seja, ao invés de construir um software completo, faça um mock-up para ver se os usuários gostariam; uma pesquisa de mercado para conhecer seus concorrentes; estime o custo de produzir o sistema e converse com clientes para saber se ele daria retorno; faça provas de conceito para ver a viabilidade de uma nova tecnologia-chave. Se um desses passos já lhe mostrar problemas na sua inovação (o mock-up lhe mostrar que os usuários/clientes não estariam tão empolgados com o seu principal diferencial, por exemplo) você poderá ajustá-la ou “partir pra outra” com o mínimo de desperdício de tempo, dinheiro e esforço.

Por fim, concluo ressaltando que esse foi apenas o primeiro post sobre as práticas da Inovação Enxuta. Nas próximas semanas, estarei ensinando novas práticas e explicando os princípios e os objetivos por trás delas. Dúvidas e sugestões são bem-vindas.

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