Fases do “vôo” de inovações em TI

Recentemente, Kent Beck descreveu uma metáfora em seu blog sobre quatro fases de uma Startup imitando a decolagem de um avião.

Neste post, me baseio nas idéias de Beck e na definição de ciclo de vida de um produto para definir 5 fases de uma inovação em TI e os princípios, técnicas e práticas de gerencia e desenvolvimento de software que recomendo usar em cada uma dessas fases:

1. Taxiar – Escolher a pista e posicionar-se

Apontando pro lado errado

Apontando pro lado errado

A primeira fase é caracterizada pela procura de necessidades e as primeiras experiencias (hipóteses e protótipos) para analisar oportunidades e maneiras de resolver problemas. É uma das fases mais complicadas e importantes de se fazer.  Mais comum do que se imagina, muitos novos empreendedores “pulam” esta fase e aplicam recursos  nos problemas errados.

Assim, com tempo e orçamento limitados, a chave é maximizar quantas hipóteses (perguntas) você consegue criar e responder por unidade de tempo (e monetária). Por causa disso, nesta fase, software deve ser desenvolvido de maneira diferente… Ou nem desenvolvido. O ideal é fazer prótotipos em papel ou mock-ups razos e construídos rapidamente (em flash e sem banco de dados, por exemplo) para mostrar para potenciais clientes, provas de conceito para checar a viabilidade de novos algoritmos, “hacks” para mostrar (um número pequeno de) funcionalidades essenciais  no menor tempo possível e algumas práticas que envergonhariam um Engenheiro de Software (se ele tivesse que dar manutenção neste código depois).

A fase termina quando a equipe/empresa encontra um problema relevante, com mercado, e tem uma primeira proposta de solução. Normalmente, pela “qualidade” do desenvolvimento, o software que é produto desta fase deve ser descartado. O importante, antes de pensar que se está jogando trabalho fora, é lembrar-se que seu objetivo era provar hipóteses, não construir um software. Pior do que refazer um pedaço de código é dar mantenção numa “gambiarra”. Ao mesmo tempo, você com certeza não deve se dar ao luxo de construir software de qualidade sem saber se está com a solução certa para o problema certo.

2. Decolar – Acelerar a toda velocidade

Avião com pós-combustão

É hora de decolar

Após identificar um problema relevante, é hora de ligar a pós-combustão da sua inovação e botar força total. Só porque você identificou uma necessidade, no entanto, não significa que você já tenha um negócio. A vaga noção de que as pessoas vão querer pagar pelo que você quer fazer é o maior risco de uma inovação. Nesta fase, você deve descobrir se sua “noção” é verdadeira. A  segunda fase é caracterizada pela construção e manutenção das primeiras funcionalidades, pela analise e definição do modelo de negócios,  pelo “Beta testing“, a captação dos primeiros clientes (“Early adopters“) e, porque não, pela animação e as expectativas inerentes de Inovar. Nesta fase, você vai descobrir quantas pessoas que disseram que sua idéia é ótima estão realmente dispostas a pagar por ela.

Nesta fase, o trade-off entre curto e longo prazo e as práticas de desenvolvimento começam a mudar um pouco. Você ainda precisa de muita velocidade, e não faz sentido gastar dias de esforço numa funcionalidade que pode não durar uma semana antes de ser completamente modificada, mas, ao mesmo tempo, você precisa entregar valor para seus usuários e um sistema que quebra de hora em hora não pode ser bem avaliado. As vezes, testes automáticos e refactorings ajudam a ter um produto usável e fácil de modificar. As vezes, considerando que 90% das features serão descartadas e refeitas, não. O líder técnico e a gerência do projeto devem tomar bastante cuidado em distinguir quais features devem receber mais esforço e serem feitas com mais cuidado e quais não.

A fase termina quando a equipe/empresa se vê inserida no mercado com uma solução razoável, ainda que não muito conhecida, para um problema real. Além disso, a empresa já recebe um faturamento pequeno mas tranquilizador da solução e tem um número crescente de usuários, que começam a sustentar o negócio.

3. Subir até a altitude de cruseiro – Vencer os maiores obstáculos

Ao alto e avante!

Ao alto e avante!

A terceira fase é caracterizada pelo crescimento cada vez maior e suas dificuldades. É a hora de começar a lucrar, atendendo cada vez mais clientes ao mesmo tempo que permanece com os gastos controlados. A empresa começa a ter um setor de suporte, contato com clientes dos mais variados tipos, com necessidades por vezes conflitantes, e o software começa a sofrer stress de escalabilidade e performance. O foco é conseguir cada vez mais clientes e participação de mercado.

Nessa fase, manutenção e qualidade de produto são muito importantes. Automação de testes, testes de escalabilidade, confiabilidade e a mentalidade de “defeito zero” (corrigir os bugs imediatamente) começam a fazer sentido para prevenir custos exorbitantes em pequenas modificações e correções. Aqui, todas as melhores práticas de Engenharia e desenvolvimento de software podem ser utilizadas. Refactorings pequenos (e, as vezes, grandes) são necessários para manter a “velocidade de subida” constante e o software evoluindo sem imprevistos significativos.

A fase termina quando a empresa não se vê mais com um novo problema todos os dias, o sistema está razoavelmente estável, o número de clientes não cresce mais tão vertiginosamente e o software “dá lucro no curto prazo sem muito esforço”.

4. Nivelar e voar – Manter o trabalho e aproveitar

Nuvens abaixo, só o céu azul acima, é hora de voar

Nuvens abaixo, só o céu azul acima, é hora de voar

A quarta fase é caracterizada pelo crescimento sustentável, pelo aumento no esforço de manutenção e pelo foco principal do trabalho passar a ser manter os clientes satisfeitos ao invés de conseguir novos. Agora, a empresa começa a pensar principalmente no longo prazo, em como manter a lucratividade do produto e combater concorrentes e novos entrantes.

Nessa fase, manutenção e qualidade de produto, que eram importantes, passam a ser essenciais. Automação de todos os testes de sistema, a mentalidade de qualidade total e o foco em crescimento sustentável são necessários. Todas as melhores práticas de Engenharia e desenvolvimento de software devem ser utilizadas. O foco deve ser em melhorar e combater ainda mais o desperdício no produto e no processo de desenvolvimento.

5. Descer e pousar – Queda e substituição

Pouso forçado

Pouso forçado

A última fase é caracterizada pela descida nas vendas e no lucro e pela desaceleração, eliminação ou revitalização. Este estágio pode ser causado por uma competição feroz, novos entrantes, condições econômicas desfavorecidas, mudanças de tendência, entre outras. Ao chegar nesta fase, o ideal é “pousar e reabastecer” (buscar um novo mercado e/ou melhorar radicalmente o produto) ou “descer do avião” (descontinuar o produto).  É hora de reiniciar o ciclo e reaprender a fazer apenas mock-ups e protótipos, além das práticas de Gerenciamento “esquecidas” no começo do vôo.


Conclusão

Neste post, usei a metáfora de um vôo para definir as fases de uma inovação em TI. A principal mensagem deste post é que, dependendo da fase em que se encontra sua inovação, diferentes principios, métodos e práticas devem ser utilizados. É essencial, no entanto, que a equipe que esteja tocando pra frente a empresa e a inovação estejam atentas e cientes de qual estágio estão vivendo e seus objetivos para aplicar dinheiro e esforços da melhor maneira. O uso exagerado de desenvolvimento e esforço na fase inicial, por exemplo, minimiza a capacidade da empresa de inovar e de atingir novos mercados. Por outro lado, o uso de “hacks” e software construído às pressas, adequados na fase inicial, se não descartados e refeitos, prejudicam o desenvolvimento a longo prazo e a manutenção de um produto.

O que vocês acham?

6 comments to Fases do “vôo” de inovações em TI

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